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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Entre duas pessoas

Postado por Renata Lopes Costa às 22:23 1 comentários
Passando pelos blogs "dazamigas", vi que tem uma pessoa que acompanho e muito admiro pela sua determinação e carinho na sua maternagem, está se separando. Momentaneamente, me choquei e me entristeci por ela - mesmo sem saber os motivos e razões que a levaram a isto. Refleti...

Refleti sobre como ás vezes a vida se apresenta frágil diante da gente, que muitas vezes as coisas não saem como planejávamos e ainda me fez ver ainda mais que relacionamentos são frágeis e requerem cuidado constante. Relacionar-se vai muito além dos contos de fada. Vai muito além das nossas expectativas... Requer um tremendo jogo de cintura para que nossos desejos e defeitos sejam confortavelmente confrontados com de nossos parceiros.

Relacionar-se bem e em harmonia requer renúncias, paciência, compreensão que, às vezes, vai além de nosso entendimento. Amar nos torna soberanos a igualmente vulneráveis. Nos deixa ás margens da loucura, da loucura boa de fazer sacrifícios e daquela loucura que amedronta.

Agora, antes que o verbo relacionar seja conjugado na sua pior maneira é preciso maturidade para deixar ir, deixar tomar outros rumos aquele velho amor que um dia acendeu seu coração.

Sejamos felizes!
Que cada um encontre sua verdadeira identidade!
Que sejamos felizes da nossa particular maneira!

domingo, 1 de abril de 2012

Para refletir...

Postado por Renata Lopes Costa às 20:35 0 comentários

A pureza original

Com as crianças aprendemos sempre. Mas quando elas adoecem, transformam-se em didatas ainda mais impressionantes. A perplexidade diante da doença, o temor do desconhecido e a confissão dos medos sem dissimulação enternecem este convívio. Não apenas pelo olho aceso no apelo desesperado por ajuda, mas pela incapacidade do médico de ser uma coisa só, sucumbindo à dualidade entre o técnico rigoroso e o resíduo instintivo de pai ou mãe que cada um de nós carrega, não importa a combinação dos cromossomas.

Respeito a opinião dos que condenam o envolvimento afetivo nesta situação, sob o pretexto de que isso poderia comprometer a isenção do juízo médico, mas festejo, encantado, a legião dos que não conseguem evitar.

O Bernardo nasceu com um defeito congênito, descoberto aos quatro an os de idade, depois de uma série de infecções pulmonares. Na noite anterior à cirurgia, rodeado de pais e avós, ouviu as explicações do que seria feito, tudo cuidadosamente elaborado para que chegasse ao seu nível de entendimento e sem gerar uma ansiedade desnecessária. Terminada a conversa, com o olhinho mais inocente, perguntou: “E você sabe fazer isso?”

Como é impossível deixar de pensar que aquela figurinha miúda, enrolada no lençol, poderia ser um filho ou um neto, é fácil entender porque os pediatras de vocação são os médicos mais carinhosos. O exercício da doçura adoça as pessoas.

O Wendel gastou mais da metade dos seus escassos 14 anos em internações complicadas, terapias intensivas de alto risco, longos períodos de respiração artificial e, depois de tudo, submeteu-se a um transplante duplo de pulmões. Como as placas de facilitação não acompanham sua trilha, fez uma complicação num dos brônquios implantados do doador, necessitando correção cirúrgica.

Novamente no bloco cirúrgico, nos encontramos. Cumpridos os abraços e beijos, veio o comentário, com uma cara gorducha e séria. “Estou nas suas mãos.” Quando respondi, meio debochado: “Você sempre esteve!”.

Ele completou : “Pois vê se não erra desta vez!”.

Límpidos assim, nascemos. Uma pena que, ao longo da vida, preocupados em construir a blindagem para o convívio social, percamos muito dessa pureza original.

*J.J. Camargo é cirurgião torácico e chefe do Setor de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre
 

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